Região Sul

Florianópolis, SC

11 de agosto de 2017

FIESC – SC
Rodovia Admar Gonzaga, 2765
Itacorubi, Florianópolis – SC

Língua Portuguesa, tecnologia e educação infantil são alguns dos temas levantados na região Sul

Florianópolis (SC) recebeu, na sexta-feira dia 11 de agosto, a 3ª audiência pública da Base Nacional Comum Curricular. Organizadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), as audiências públicas têm o objetivo de ouvir a sociedade sobre o documento que irá definir direitos e objetivos de aprendizagem da Educação Básica. “Todas as manifestações serão anotadas e consideradas sem julgamentos de valores ou posicionamentos”, afirmou Eduardo Deschamps, presidente do CNE.

 

Qualidade da BNCC

Na audiência da região Sul, professores e integrantes de associações trouxeram contribuições relevantes para a qualidade do documento. Em Língua Portuguesa, vieram observações sobre a progressão das aprendizagens, aspecto que, apesar de ter avançado entre a 2ª e a 3ª versões, ainda pode melhorar, de acordo com falas feitas ao longo do dia. “No eixo dos conhecimentos linguísticos e gramaticais, embora haja correlação entre as habilidades descritas, é preciso rever essa correlação ao longo dos anos, visando a uma progressão mais clara”, disse Vanderlei Siqueira, diretor da rede de escolas Marista.

Para a representante do Cenpec, Sônia Madi, esse campo pode permitir mais familiaridades das crianças, especialmente das provenientes de meios pouco letrados, com a escrita, “permitindo sua compreensão e usos e as aproximando do campo de notação”, afirmou ela. Assim como ocorreu em outras audiências, o campo oralidade e escrita aparece como um dos mais citados nas falas dos participantes, que discutem a questão da nomenclatura desse campo, bem como da possibilidade de o processo de alfabetização ser iniciado neste momento.

 

“A BNCC opta por descrever detalhadamente os conhecimentos e habilidades do eixo linguístico e gramatical. Embora haja correlação entre as diversas habilidades ao longo dos anos, faz-se necessário um criterioso arranjo visando à progressão.”

Vanderlei Siqueira – Diretor executivo da rede de escolas Marista

 

 

“Achamos importante a introdução, na educação infantil, do campo de experiência oralidade e escrita.  Ele pode permitir mais familiaridade, especialmente de crianças provenientes de meios poucos letrados, com a escrita, permitindo sua compreensão e usos e as aproximando do campo de notação. O ponto que requer atenção é o espaço dado à oralidade, que foi pouco abordada e subordinada à escrita.”

Sônia Madi – Cenpec

 

Pensamento computacional

Tecnologia e pensamento computacional também apareceram, nas falas de educadores e especialistas, como áreas da BNCC em que ainda há espaço para avanços. “A BNCC é a oportunidade de estarmos em pé de igualdade com outras nações. Ela já contempla a computação, mas existem espaços para aprimoramento”, afirmou Lizandro Granville, presidente da Sociedade Brasileira de Computação. Para o professor Jocemar do Nascimento, de Cascavel (PR), há espaço para a BNCC incluir ainda mais tecnologia em seus objetivos de aprendizagem. “A BNCC pode e deve ter mais tecnologia embutida. E para sua implementação, precisamos também levar mais tecnologia na formação inicial e continuada dos professores”, disse ele.

  “É preciso empoderar os estudantes com raciocínio estruturado, computacional, e habilitar os estudantes para a compreensão plena e lúcida do mundo digital. Isso é essencial para diminuir as diferenças educacionais brasileiras. A BNCC é a oportunidade de estarmos em pé de igualdade com outras nações. Ela já contempla a computação, mas existem espaços para aprimoramento.”

Lizandro Granville – Presidente da Sociedade Brasileira de Computação

 

“A Base tem que ter mais tecnologia embutida nela e, para sua implementação, precisamos também trazer mais tecnologia na formação inicial e continuada dos professores.”

Jocemar do Nascimento – Professor da rede pública de Cascavel (PR)

Outros temas

Assim como em outras audiências, houve ampla participação com contribuições para educação infantil, educação física, ensino religioso e questões de gênero (confira nos vídeos da audiência aqui).

Sobre construção e implementação

Sabemos que as audiências públicas são uma oportunidade de oferecer contribuições e visões também sobre o processo de construção e implementação do documento. A seguir, destacamos algumas falas nesse sentido:

“É fundamental que o documento introdutório da Base já enuncie as etapas de atualização e reformulação para que o documento esteja sempre atualizado (…) É preciso considerar sua implementação. Ou seja, tirar a Base do papel e colocar na sala de aula. Como isso será feito não é trivial e é importante envolver estados e municípios no processo. Quando digo estados e municípios estou falando em envolver os professores, escolas e secretarias.”

Ana Inoue – Professora e integrante do Movimento pela Base.

 

“Em momentos como o atual, políticas que pensem o nosso país e como superar seus desafios se fazem ainda mais necessárias e relevantes. (…) A Base é muito importante para que as escolas criem condições reais de combate às desigualdades sistêmicas.”

Lara Alcadipani – Fundação Lemann 
 


 
“Em um momento de muita divisão no país, é necessário fazer um esforço para compreender as diferentes opiniões.”

Chico Soares – Conselheiro do CNE 

Próximas audiências

A próxima audiência pública sobre a BNCC acontece em São Paulo, no dia 25 de agosto. Para mais informações sobre a agenda e o processo de contribuição com o documento, clique aqui.

Assista a audiência pública de Florianópolis na íntegra pela transmissão do canal Futura!