Região Sudeste

São Paulo, SP

25 de agosto de 2017

Memorial da América Latina

Matemática e tecnologia recebem contribuições na audiência de São Paulo

São Paulo recebeu, na sexta-feira, 25 de agosto, a 4ª audiência pública sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Foram 560 participantes, com mais de 100 pessoas inscritas para falar sobre o documento, entre professores, gestores, instituições e  representantes da sociedade civil.  

Organizadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), as audiências públicas têm como objetivo ouvir a sociedade a respeito da terceira versão da BNCC e acontecem em todas as regiões do país. Veja como foram as outras audiências.

 

Em São Paulo, muitas das contribuições foram as áreas de matemática, tecnologia e computação. Em suas falas, diversos representantes de associações e entidades também  reiteraram a importância de se ter uma BNCC para apoiar o trabalho do professor em sala de aula, bem como para sua formação.

“Como formadora de professores, o que eu mais ouço diariamente dos meus alunos é: o que, afinal, eu tenho que ensinar? A BNCC é necessária porque deixa muito claro o norte do professor e o direito do aluno. E determinar o que o aluno tem o direito de aprender na escola é mais efetivo se for além dos livros didáticos e das avaliações externas. essa determinação precisa ser explícita em um documento como a BNCC.”
Kátia Smole, diretora do Mathema.

“Acreditamos que ter a Base grande avanço na garantia dos direitos de aprendizagem de todos os alunos brasileiros, não importa onde moram ou estudam. Nossa sugestão é mudar alguns verbos na redação de competências e habilidades, para que as crianças e jovens aprendam não apenas a utilizar tecnologias, mas compreendam como elas funcionam e sejam capazes de produzir novas tecnologias.
Lucia Dellagnelo, diretora do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb).

“Integrantes da sociedade Brasileira de Matemática e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada fizeram leituras críticas da BNCC e vimos muitas das nossas sugestões atendidas na terceira versão.”
Cydara Cavendon Ripoli, representante da Sociedade Brasileira de Matemática.

 “Precisamos ter a aprendizagem do pensamento computacional e a compreensão do mundo digital. A primeiro ajuda na análise e resolução de problemas, é uma habilidade para a vida. A segunda se justifica porque existe um mundo, além da física e da biologia, que quase ninguém entende. O que é a internet? Como o celular toca uma música?  A computação explica o mundo digital e toda criança e jovem tem o direito de entender o mundo em que vivem”
Laila Ribeiro, representante da Sociedade Brasileira de Computação

O papel da BNCC para a Educação

A importância da BNCC para ajudar a promover a qualidade e a equidade no sistema educacional brasileiro apareceu na maioria das falas de entidades da sociedade civil e científicas, que ressaltaram a necessidade de se pensar e planejar como o documento será implementado nas salas de aula ( formação inicial e continuada dos professores, currículos, materiais didáticos e avaliações). 


“De acordo com o Saeb, 80% dos professores de escolas com alunos de alta renda afirmam conseguir cumprir todo o currículo. Já nas escolas de alunos de renda mais baixa, apenas 20%. É por isso que o  Brasil precisa de uma boa Base, bem implementada e refletida nos currículos.”

Priscila Cruz, presidente do Todos pela Educação e integrante do Movimento pela Base

 

“A Base é um passo fundamental para concretizar a escola pública com a qual a gente sonha. Uma escola que faça mais sentido na vida dos alunos e que respeite seus contextos.  Só com essa escola pública a gente vai poder pensar em igualdade de oportunidades pros brasileiros construírem seus projetos, realizarem seus sonhos e terem uma vida plena na sociedade.”
Camila Pereira, diretora da Fundação Lemann e integrante do Movimento pela Base

 

“Não podemos entender a Base como uma lista de conteúdos mínimos, mas comuns a todos os brasileiros.”
Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho Administrativo do Cenpec.

 

“Entendemos que a aprovação e implementação da BNCC, por si só, são incapazes de elevar a qualidade da educação brasileira. Há de se considerar o papel central da formação inicial e continuada dos professores neste processo. Há de se ter ainda políticas públicas coordenadas que reduzam as desigualdades sociais e regionais, valorizem o professor, a carreira docente e a escola pública.”
Silvia Panazzo, da Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos.