Região Norte

Manaus, AM

07 de julho de 2017

Universidade do Estado do Amazonas
Av. Djalma Batista, 3578
Flores, Manaus – AM

Participação dos educadores e valorização da diversidade são destaques

Na última sexta-feira, 07 de julho, aconteceu a 1ª audiência pública sobre a última versão da Base Nacional Comum Curricular em Manaus. O evento, promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), contou com mais de 300 inscritos. Além disso, a Secretaria Municipal de Educação disponibilizou um telão com transmissão em tempo real para escolas e profissionais da educação que não conseguiram participar presencialmente. Na internet, centenas de pessoas acompanharam a audiência pela transmissão online e ao vivo do Canal Futura. Até setembro, acontecerão mais quatro audiências públicas nas demais regiões do país. Confira agora os destaques e as principais contribuições da região Norte.

 

 

Mesa de abertura da audiência – Da esquerda para direita: Kátia Helena Schweickardt (Secretária Municipal de Manaus); Sylvio Puga (reitor da Universidade Federal do Amazonas); Rossieli Soares da Silva (Secretário de Educação Básica do MEC); Eduardo Deschamps (Presidente do Conselho Nacional de Educação); Arone Bentes (Secretário de Educação do Amazonas); Cleinaldo de Almeida Costa (reitor da Universidade do Estado do Amazonas); Maria Inês Fini (presidente do Inep) e Antonio Venâncio Castelo Branco (reitor do Instituto Federal de Educação do Amazonas).

Envolvimento dos educadores manauaras

Ao longo do processo de construção da Base Nacional Comum Curricular, os educadores manauaras estão participando ativamente da construção do documento. Já foram 12 encontros coletivos, dezenas de reuniões, debates via grupos de WhatsApp e a formação de uma comissão com 22 profissionais da educação que estão pensando em formação e outros aspectos da implementação. Na audiência, 50 educadores da rede municipal participaram e deixaram suas contribuições (oralmente ou em formato manuscrito, impresso ou digital).

Ainda assim, diversos educadores criticaram a falta de divulgação da audiência e do próprio documento. Rodrigo Froes, diretor escolar e um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 2016, defendeu um maior envolvimento de professores no processo.

rodrigo“A qualidade da educação acontece a partir do chão  da escola e é por isso que os professores devem ser mais ouvidos em espaços democráticos como esse”

– Rodrigo Foes

O processo precisa seguir democrático

A Base está sendo construída desde 2015 com participação ativa da sociedade. Na 1ª versão, mais de 12 milhões de contribuições foram recolhidas. Na 2ª, a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação) e o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) organizaram seminários estaduais em todo país. Agora, as cinco regiões do Brasil têm a oportunidade de oferecer novas reflexões ao debate. O caráter democrático é reforçado pelos integrantes da última audiência pública em Manaus – que contou com pessoas contra e a favor da Base.

katia

“Defendo o processo da Base por que ela cria condições de garantir o que todas as crianças têm o direito de aprender; também ajudará a contemplar as nossas particularidades, aquilo Manaus e o Amazonas podem ensinar aos seus alunos, mostrando que o Norte do país também é capaz de contruir educação pública de qualidade.”

– Kátia Scweickardr – Secretária Municípal de Educação de Manaus

Uma política que represente o Brasil

“Essa Base não é do MEC. Não é do CNE. É do Brasil”, reforça Eduardo Deschamps presidente do CNE. E foi este o ponto mais reforçado pelo público da audiência: a necessidade de ter um documento que valorize a diversidade étnica, cultural e social, além de trazer menções claras em relação a gênero e orientação sexual.

Sobre gênero e orientação sexual

No texto da 3ª versão da Base Nacional Comum, os termos relacionados a essas questões foram retirados. Durante a audiência, houve falas que defendiam às menções explícitas e outras que apoiavam a retirada. O CNE confirma que é importante revisar e fazer ajustes no documento para trabalhar melhor o tema. O Movimento pela Base fez um manifesto sobre, que você pode conferir aqui.

A cultura indígena, o campo e as minorias

O Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazona e outros representantes de comunidades indígenas marcaram presença no encontro. Eles defenderam a importância de uma Base representativa que carregue seus aspectos culturais e particularidades linguísticas.

A presidente do Conselho Estadual de Educação do Pará, Suely Menezes, explicou que a educação indígena será contemplada nos currículos estaduais e municipais. “Na Base aparece a língua portuguesa por ser comum a todos os brasileiros”, explica.

gersem
“A Base deve acolher segmentos que sempre foram marginalizados em termos de seus direitos à educação de qualidade – sem descuidar da necessidade de promover e garantir que as culturas, saberes e tradições sejam continuadas.”

– Professor Gersem Baniwa
(conselheiro do CNE que representa a educação escolar indígena)

A educação do campo e de outras minorias, como os idosos, também apareceu na fala de diversos participantes.

Outros temas

Outras questões relevantes que apareceram na audiência foram sobre educação infantil, ensino religioso e educação integral. Como representantes do Movimento pela Base, contamos com a participação de Bia Ferraz (especialista em educação infantil) e Anna Penido.

ana

“Uma Base que aponta para o futuro que ajuda a formar alunos capazes de realizar seus projetos de vida, mas não apenas isso, também ajude a construir cidadãos capazes de atuar em sociedade e ajudar a construir o nosso futuro.”

– Anna Penido

beatriz

“Entre os aspectos positivos na Base para educação infantil podemos destacar o fato de ter uma proposta articulada com as diretrizes curriculares nacionais da educação infantil e apresentar os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento que precisam ser garantidos a todas as crianças do nosso país.”

– Beatriz Ferraz

Balanço geral e próximos passos

No balanço geral, a avaliação do Conselho Nacional de Educação foi bastante positiva e a comissão reforçou a importância da valorização da diversidade.

suely

“Estamos ouvindo vocês e já reconhecemos algumas invisibilidades apontadas. Essa comissão vai lutar para entregar até o final do ano um documento com a cor, a ideologia, a história e a cultura dos nossos estados e municípios, representando o que dá identidade para cada espaço de terra do nosso país.”

– Suely de Castro Menezes – Conselho Estadual de Educação do Pará

chico

“Temos que encontrar uma maneira de incluir a todos, não tenho a resposta, mas sinto a importância de fazer isso. Não é convencer, é conviver.”

– Chico Soares – Conselho Nacional de Educação