Região Nordeste

Recife, PE

28 de julho de 2017

Centro de Convenções de Pernambuco
Av. Professor Andrade Bezerra, s/n
Salgadinho, Olinda – PE

Nordeste debate estrutura do documento e implementação da BNCC

A segunda audiência pública sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organizada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) aconteceu em Recife (PE), em 28 de julho. O evento reuniu mais de 300 pessoas entre educadores, profissionais da educação, instituições e especialistas que deram continuidade ao debate sobre o documento.

Os conselheiros registraram contribuições de temas como Educação Física, Língua Estrangeira, Língua Portuguesa, História, Geografia e Ciências Naturais. Os participantes também trouxeram questões sobre educação infantil, desenvolvimento integral dos alunos, organização e processo de construção do documento. 

Para Luiz Carlos Menezes, que também faz parte do Movimento pela Base e foi consultor das duas primeiras versões da BNCC na área de Ciências da Natureza, a terceira versão apresentou melhoras. “Está mais enxuta, sem firulas e muito mais claro”, disse ele. Na sua avaliação, um ponto de atenção é a passagem das competências para as aprendizagens. “Mas está fácil de resolver, já que este texto está mais organizado”, disse ele. Menezes também destacou a importância da visão de uma BNCC como política de Estado. 

“Não podemos perder a perspectiva de discutir a Base Nacional Comum Curricular como uma política de Estado.”

 

Luiz Carlos Menezes, consultor das primeiras versões da BNCC e integrante do Movimento pela Base

Tereza Perez, que participou da construção dos Parâmetros Curriculares Nacionais, é uma das fundadoras da Comunidade Educativa Cedac e faz parte do Movimento pela Base, também destacou o papel da BNCC como referência para o Estado brasileiro, que precisa garantir o direito de aprendizagem aos 50 milhões de crianças e jovens.  “Não é, e nem pode ser, um documento de um governo”, afirmou.

Regime de colaboração para a implementação

Além da discussão sobre a qualidade do documento, que permeou todo o processo de construção da BNCC, Tereza considera a implementação como estratégica para o sucesso da BNCC. “Se a Base não for bem implementada, de nada adiantará ter um documento perfeito do ponto de vista conceitual”, disse ela.

 

“Acreditamos que boa parte das condições para a implementação está no regime de colaboração, uma cooperação de esforços que se reverta a favor dos estudantes, independentemente da rede em que estejam inseridos.”

Tereza Perez, da Comunidade Educativa Cedac e integrante do Movimento pela Base

 

 

 

 

 

A importância de ter orientações claras para a implementação foi fala recorrente nas falas de outros participantes., entre eles gestores e professores  A revisão dos currículos das redes municipais e estaduais, bem como dos PPPs das escolas, serão fundamentais para fazer com que a BNCC chegue nas salas de aula, bem como a formação de professores.

Ana-Selva
“Após o parecer do CNE, serão necessárias orientações para a implementação, especialmente para a formação dos professores. Isso é o que vai garantir o objetivo da Base de tornar o currículo o coração da vida da escola.”

  • Ana Selva, da Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco

De olho na diversidade

Assim como em Manaus, que sediou a primeira audiência, em 7 de julho, a questão da diversidade foi mencionada em diversas falas, ressaltando a diferença entre Base e currículo.  “A BNCC precisa ser contextualizada e esse contexto quem trará são os currículos, que dirão quais as aprendizagens específicas de cada região”, afirmou Francisco Soares, também do CNE.

Educação Física

Muitos professores e representantes da área de educação física marcaram presença na audiência do Nordeste. Eles destacaram a importância da Base trazer mais embasamento teórico no conteúdo da disciplina.

“O movimento corporal humano é uma área de saber que apresenta conhecimentos específicos a serem internalizados nas dimensões cognitivas, afetivas, sociais e na dimensão motora. Não há educação de qualidade sem educação física de qualidade.”

 

Sérgio Sartori, professor e membro do Conselho Federal de Educação Física

Próximos passos

O CNE analisa a parte da Educação Infantil e Fundamental da BNCC e, a partir das contribuições nas audiências públicas, escreverá um parecer e a resolução que irá normatizar o documento. A expectativa, de acordo com César Callegari, que preside a Comissão Bicameral que analisa a BNCC, é que o CNE envie o parecer e a resolução para homologação do MEC ainda este ano. A próxima audiência acontecerá em Florianópolis, no dia 11 de agosto.

 

Veja a audiência de Recife completa nos vídeos do canal Futura.

 

Professores de Fortaleza e Itambé participam da audiência sobre a Base